Evite a queda de braço e transforme os pais de seus alunos em aliados.

Publicado em 23/10/2017 por

''Ao longo da minha jornada na Educação, fui professora de 45 turmas de alunos, boa parte delas de alfabetização. Consequentemente, tive contato com mais de mil famílias. Nem sempre o relacionamento entre nós foi bom e produtivo. Na maioria das vezes, ainda bem, consegui estreitar laços, interagir e estabelecer parcerias com as famílias, sempre com o objetivo do bom desenvolvimento do aluno e de sua aprendizagem.


No início da carreira, eu não sabia lidar com as famílias e os via sempre como opositores. Com o passar do tempo fui quebrando minhas próprias resistências, preconceitos e fui baixando a guarda, aprendendo a ouvir as famílias e me fazendo ser ouvida. Mas não foi fácil!

Uma vez, em uma escola em que eu havia acabado de chegar, ouvi de vários pais, na primeira reunião do ano letivo, que os filhos estavam matriculados ali contra a vontade deles, pois não haviam conseguido vaga em outra unidade escolar que preferiam e que por isso resolveram dar uma chance à escola.

Ao ouvir aquilo, fiquei chateada e nervosa, com vontade de dar uma resposta no mesmo tom, mas refleti que isso não ajudaria em nada. Me controlei e respondi com calma que juntos poderíamos construir uma escola que atendesse às necessidades de aprendizagem de todos os alunos, que a educação deles dependia da nossa boa parceria e compromisso, e que eu daria o meu melhor. Os responsáveis ficaram surpresos com minhas palavras e aceitaram a proposta de parceria.

Foi um ano maravilhoso, de muita aprendizagem. Os alunos em processo de alfabetização terminaram o ano lendo e escrevendo com autonomia. Mas para isso, mantive um diálogo constante e direto com todas as famílias, que apoiaram os filhos nos estudos e o meu trabalho como professora. No final do ano, rimos juntos ao lembrarmos do nosso primeiro contato. Me questionei se o resultado seria diferente se no início do ano eu tivesse aceitado a "queda de braços". 

Trabalhei também em muitas escolas rurais, onde os pais achavam que estudar apenas os anos iniciais, 1° ao 5°ano, estava ótimo e já era o suficiente, ainda mais se fossem meninas. Eles não compreendiam a importância de manter seus filhos na escola até o final do Ensino Médio.

Junto com uma colega professora, a Madalena, elaboramos um evento especial chamado "Dia da família na escola", quando fizemos um debate e um apelo para que os pais apoiassem a continuidade do estudo dos filhos. Nesse dia, fizemos várias atividades que abordavam o tema. Entre elas, uma gincana onde os pais respondiam perguntas sobre preferências, sonhos e estudos de seus filhos. Um pai ficou muito emocionado ao descobrir que o filho queria continuar os estudos para ter um fututo melhor e sustentá-lo na velhice. No ano seguinte, muitas crianças que estavam previstas para interromper os estudos fizeram a matrícula novamente.

As tão faladas reuniões de pais também são bons momentos para que a família acompanhe o desenvolvimento do filho. Infelizmente, sabemos que nem todas as famílias comparecem. Ou, quando aparecem, muitos pais chegam na reunião perguntando onde precisam assinar, pois têm pressa por causa do horário de trabalho e assim não tem tempo para saber da vida escolar dos filhos. Por isso, muitas vezes insisto para que os responsáveis venham na escola em outros horários. Quando consigo me aproximar de alguma família, costumo explicar as hipóteses de escrita para que eles compreendam o passo a passo do desenvolvimento dos filhos. Tenho encontrado mães que são excelentes alfabetizadoras e contribuem muito!

Em qualquer das situações de debate com um pai ou responsável, quando não consigo me fazer entender e alguém faz alguma reclamação sobre as aulas, a metodologia ou outra colocação, procuro não prolongar o descontentamento e imediatamente chamo para conversar. Muitas vezes, são coisas simples de resolver e chegar em um consenso. Acredito que o diálogo franco e a parceria são condições essenciais para a aprendizagem dos alunos.

Nós, professores, sabemos que nem sempre é fácil estabelecer essa parceria com os responsáveis pelos alunos. Mas aprendi ainda no início da carreira que não posso desistir nem considerar essas pessoas opositores apenas por terem visões de Educação diferentes da minha. É duro, mas o diálogo precisa ser aberto.

De maneira geral, estabelecida a parceria, mantenho um bom relacionamento com as famílias de meus alunos. Tenho até amizade com pais e alunos que já duram mais de 20 anos. Muitos me visitam na escola para pedir orientações e saber como estou. 

E vocês queridos professores? Como anda a sua relação com as famílias de seus alunos? Quais são as dificuldades? Que estratégias adotam para construir essa parceria? Conte aqui nos comentários!''

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