Conheça os sinais da dispraxia, o transtorno neurológico que afeta a coordenação motora.

Publicado em 16/02/2018 por

Amarrar o cadarço do sapato pode até ser considerada uma tarefa fácil, mas um transtorno na coordenação motora como a dispraxia pode tornar essa atividade complicada. O ator britânico Daniel Radcliffe, astro da série de filmes ?Harry Potter?, foi recentemente diagnosticado com a doença e revelou, em entrevista ao ?Daily Tegraph?, que em uma das suas piores crises  não conseguia  escrever direito e nem  amarrar o  sapato. 


De acordo com a Neurologista Pediátrica Marília Abtibol, a dispraxia é um transtorno neurológico e as manifestações iniciam na primeira infância. Os atrasos motores e a dificuldade em executar tarefas como segurar garfo e faca podem ser um dos primeiros sinais da doença.  

?As causas desse transtorno estão mais relacionadas ao consumo de álcool e outras drogas na gravidez, em crianças prematuras e naquelas que tiveram baixo peso ao nascer?, disse Abtibol. 

Na criança maior, as dificuldades  apresentadas  podem aparecer ao montar quebra-cabeças, escrever à mão, manusear tesouras, andar de bicicleta ou praticar esportes. ?Elas demonstram  falta de jeito, lentidão ou imprecisão no desempenho das habilidades motoras que já seriam esperadas ser bem realizadas naquela idade?. 

Na fase de aprendizagem, a psicopedagoga Luciana Brites, do Instituto NeuroSaber, explica que a síndrome afeta principalmente a escrita da criança. ?Em sala de aula, o professor tem que primar sempre pela qualidade, não pela quantidade. Às vezes, o professor quer que a criança escreva muito várias palavras, mas às vezes é preferível que a gente diminua essas expressões escritas e motoras para que tenhamos qualidade?, opinou.

Em casos mais sérios, a psicomotricista cita que adaptações em tablets e computadores podem ajudar no desenvolvimento dessas habilidades. ?É importante o professor valorizar outras formas de expressão do conhecimento dele que não seja só a escrita?, complementa. 

 A Mestre em Neurologia do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP) pontua ainda que a criança com dispraxia tende a ficar isolada, ter baixa estima, problemas emocionais e comportamentais. ?Isso porque ela não consegue participar de brincadeiras e esportes, podendo sofrer preconceito por tudo isto, além de tornar-se um adulto com dificuldades profissionais?. Nessa última fase,  alguns sinais da síndrome são   dificuldades para aprender novas tarefas que envolvam habilidades motoras mais complexas ou automáticas, como dirigir e usar ferramentas.

O tratamento da síndrome é planejado mediante uma avaliação do paciente.  ?É importante a atuação de uma equipe multidisciplinar composta por terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e pedagogia, a fim de amenizar a dispraxia e melhorar a qualidade de vida destas crianças?, esclarece Marília.


 
 
 

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