''A leitura é o melhor exercício para a memória''

Publicado em 31/01/2018 por

Argentino de nascimento, radicado no Brasil há 40 anos e naturalizado desde 1981, o neurocientista Iván Izquierdo é o pesquisador brasileiro mais citado da área, dentro e fora do país. A plataforma Web of Science contabiliza mais de 17,7 mil referências a textos seus, em trabalhos publicados no mundo todo. Atualmente ligado ao Instituto do Cérebro da PUC, Izquierdo coordena as investigações do Centro de Memória. Sua recomendação: não há melhor atividade para estimular as lembranças do que a leitura.


?Quando o cérebro vê uma palavra, tem que formar um inventário de informações e termos que cada letra lhe traz?, descreve Izquierdo. Trata-se de um esforço gigantesco que muitas vezes passa despercebido: ?Se a primeira letra da palavra é R, por exemplo, podemos pensar em Raul, rato, revista? em questão de milissegundos o cérebro forma uma lista das palavras que conhecemos e que começam com essa letra ? em todas as línguas que sabemos. É uma atividade intelectual poderosa?.

No Centro de Memória, dedicado exclusivamente à pesquisa científica, Izquierdo realiza experimentos em animais, atrás de respostas sobre a formação e o armazenamento da memória. Ele ressalta que os episódios com forte conteúdo emocional são lembrados mais facilmente, ainda mais se forem experiências negativas: ?A alegria nós deixamos passar como algo tranquilo, mas algo terrível como a morte de alguém é mais forte. Esses eventos nos deixam alertas, liberando uma série de neurotransmissores?.

No entanto, mesmo o esquecimento tem sua função. Izquierdo usa como exemplo o personagem Funes, ?o memorioso?, de Jorge Luis Borges. Funes podia recordar dias inteiros, mas para isso precisava de outro dia inteiro. ?Minha memória, senhor, é como depósito de lixo?, lastimava o personagem de Borges. E Izquierdo concorda. Os casos reais de hipermemória não costumam remeter a existências agradáveis ou criativas. ?Para poder funcionar nesse mundo temos que esquecer certas coisas que não têm razão para serem lembradas?, diz o neurocientista.

Claro que nem todo o esquecimento é desejável. O mal de Alzheimer, que degenera a capacidade de formar memórias, continua sendo um dos grandes vilões para os estudiosos na área. ?Quanto mais soubermos sobre a doença, mais próximos estaremos de um tratamento eficaz, mas ainda é impossível saber quando poderemos falar em reverter um caso de Alzheimer. Hoje estamos mais próximos de encontrar respostas do que há um ano, mas é só isso que se pode dizer?, lamenta Izquierdo.

O pesquisador, porém, não compartilha da ideia pessimista de que as novas ferramentas de busca ? como o Google ? estariam criando uma geração com a memória mais fraca. Pelo contrário: o bom uso das tecnologias só favoreceria o acesso ao conhecimento e a materiais de leitura. ?Terá havido em seu momento pessoas com medo de edifícios cheios de livros, pessoas que eram contra as bibliotecas como agora temem o Google?, comenta. ?Mas estes são os que fazem o mundo caminhar para trás?.

https://www.sul21.com.br/jornal/ivan-izquierdo-a-leitura-e-o-melhor-exercicio-para-a-memoria/" rel="nofollow" class="f-link">Link do artigo 


 
 
 

Artigos recentes

Ansiedade na Infância: Como Identificar e o Que Fazer?
Publicado em: 16/02/2018
Estar ansioso significa sentir-se preocupado,...
''Extraordinário''- 5 razões para assistir ao filme ainda neste final de semana nos cinemas
Publicado em: 16/02/2018
O filme é baseado no livro homônimo ?...
?Assim como inglês, língua de sinais deve ser disciplina curricular?
Publicado em: 16/02/2018
Um simples jogo de par ou ímpar se tornou um...
Que tal organizar um museu da empatia na sua escola?
Publicado em: 16/02/2018
Quem teve a oportunidade de visitar o Museu...
Todos os artigos
 

Veja também